Entrevista com a tradutora Regiane Winarski

Entrevista com a tradutora Regiane Winarski

Por Oliver Fábio
Regiane Winarski, a tradutora do livro O Bazar do Sonhos Ruins, revelou ao Kibook como foi traduzir esse novo livro de contos de Stephen King e nos revela muitas curiosidades.

Um pouco sobre Regiane Winarski:

Sou tradutora de livros desde 2009. Antes dos livros, traduzi legendas para TV a cabo. Sou formada em Produção Editorial pela UFRJ e dei aula de inglês por 10 anos. Quando tive a minha filha, decidi ir atrás do meu sonho de trabalhar como tradutora e passei a me dedicar a estudar e me preparar para isso. Atualmente, me sinto realizada no trabalho e amo muito o que eu faço. Traduzo para editoras como Suma de Letras, Intrínseca, Galera Record, Planeta, DarkSide, Rocco e outras. Jà traduzir quase cem livros, dentre eles, It – A coisaConfissões do crematório, O oráculo oculto, Cidade da morte e um montão de outros.

 
Kibook - Praticamente você foi a primeira brasileira a ler o novo livro de Stephen King, O Bazar do Sonhos Ruins. O que podemos esperar dessa nova obra?

Eu adoro os livros de contos do King, e achei esse excelente. Os contos estão bem variados, e cada um tem uma pequena introdução, na qual o autor conta pra gente alguma coisa sobre o processo de escrita daquele conto. Eu acho uma delícia “ouvir” a voz do King conversando com o leitor e adoro conhecer curiosidades sobre o processo da escrita. Além disso, há histórias excelentes e inesquecíveis nesse livro. Algumas me deram até aquela sensação gostosa de King das antigas, da época do Tripulação de esqueletos e Sombras da noite, dois livros que eu amo.

Kibook - Quanto tempo levou para realizar toda a tradução?

O Bazar é um livro bem grande. Acho que levei uns 4 a 5 meses nele, contando a tradução e a revisão que sempre faço quando termino uma tradução. Mas tempo de tradução é uma coisa relativa, depende de vários fatores.

Kibook - Já traduziu outros livros dele? (Se sim, é a tradutora ‘oficial’ dos livros dele?)

Não existe isso de “tradutor oficial”, porque a escolha de tradutor para cada livro depende de várias coisas, como disponbilidade de tradutor. Como mencionei na introdução, comecei a trabalhar com livros de King com It – A coisa, um desafio maravilhoso que tive na vida. É um livro que eu tinha lido quando adolescente, depois fiquei muitos anos sem tocar nele. Foi uma aventura mergulhar novamente na história e dar a ela uma nova tradução. Em seguida trabalhei em Joyland, fiz a trilogia Bill Hodges os três de uma vez, depois peguei O bazar dos sonhos ruins. Recentemente, traduzi mais um livro antigo dele que a Suma de Letras vai relançar e em breve começo outro (mas não posso citar títulos por questão de confidencialidade).

Foto: Divulgação- Suma de Letras
Kibook - Teve problemas para traduzir alguma frase ou termo, de forma a não perder o real sentido que o autor queria dar?

Faz parte do meu trabalho encontrar soluções para qualquer dificuldade que possa aparecer no texto. Não consigo pensar em nada específico que tenha acontecido nesse livro, mas sempre há algum pepino que dá um pouco mais de trabalho. Um exemplo disso é todo o colóquio de Joyland, talvez a parte mais difícil de traduzir nas obras do King até agora.

Kibook - Você teve contato com o autor para tirar alguma dúvida ou algo do tipo?

Infelizmente, não. Stephen King é uma celebridade! Seria maravilhoso poder trocar ideias com ele, mas ele é um cara muito assediado, e imagino que haja um esquema de proteção maior do que com os “mortais”, rs. Seria um sonho!

Kibook - Acredita que algum desses contos possa virar um filme, e arriscaria dar alguma nota para o livro?

Alguns contos talvez possam vir a ser roteirizados, principalmente os que têm história mais complexa, como Ur ou ObituáriosEu achei o livro maravilhoso de um modo geral, só houve um conto do qual não gostei muito (não vou dizer qual, mas será que alguém adivinha?). Eu daria 9.

Kibook - Como você vê as críticas que muitos leitores fazem em relação à algumas más traduções?

Como acontece com qualquer profissão, há bons e maus profissionais na área de tradução. Acontece de algumas críticas serem justas, embora nem sempre, e muitos leitores não levam em consideração o processo editorial. A produção de um livro envolve muitas etapas, em geral um copidesque e duas a três revisões, além da supervisão editorial. São muitas mãos mexendo em um livro ao longo do processo, e isso pode causar pequenos problemas pontuais. Mas é importante lembrar que os profissionais envolvidos costumam estar fazendo o melhor possível pra obter o melhor resultado. Em geral, quem trabalha com livros é porque os ama muito!

Kibook - Atualmente em quais livros está trabalhando? Pode nos contar um pouquinho do que vem por aí?

Infelizmente, não posso contar nada sobre os livros nos quais estou trabalhando. É uma espécie de acordo tácito que a gente faz com a editora, e em alguns casos tenho até que assinar termo de confidencialidade e não citar nem autores de livros. Costumo divulgar os lançamentos das minhas traduções no meu FacebookTwitter e Instagram, quando a editora já anunciou a publicação e eu já posso contar sobre os livros.

Obrigado pela gentileza de nos conceder uma entrevista e desejamos muito sucesso na sua carreira.

Eu agradeço pela oportunidade de falar com fãs do King, como eu. Longos dias e belas noites, sai.



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Lançamento: Livro contra a homofobia religiosa

Lançamento: Livro contra a homofobia religiosa

Por Oliver Fábio

Pastor lança livro contra a homofobia religiosa

Autor desafia leituras conservadoras da Bíblia, lançando um novo olhar sobre o que ela, de fato, diz sobre as minorias sexuais.

O pastor Alexandre Feitosa acaba de concluir mais uma obra literária: Teologia Inclusiva: fundamentos, métodos, história e conquistas. A obra é mais um lançamento da Oásis Editora, especializada em publicações teológicas voltadas para o público LGBT. O livro é o sexto trabalho do Pastor, que estreou em 2010 com a bem sucedida obra Bíblia e Homossexualidade: verdade e mitos, que está a caminho da terceira edição. Sua obra é marcada pela leitura histórico-crítica das Escrituras, método que contextualiza os versículos, interpretando a mensagem sob a luz dos aspectos culturais, históricos, religiosos e sociais da época bíblica. A leitura histórico-crítica da Bíblia lança luz sobre os textos que supostamente condenam as minorias sexuais. Essa abordagem permite concluir que os conceitos de orientação sexual, homoafetividade e identidade de gênero estão ausentes dos textos bíblicos. O lançamento nacional do livro ocorrerá neste sábado, 18/06, na Comunidade Athos Brasília.

Kibook - Qual o tema desse novo trabalho?
AF - Seguindo uma linha semelhante às obras anteriores, este novo trabalho propõe reflexões bíblicas sobre as minorias excluídas e segregadas por conceitos religiosos. A partir das Escrituras e, especialmente a partir de Cristo e da Igreja Primitiva, somos levados a compreender que a Bíblia está longe de ser um livro homofóbico, como muitos acreditam. O tema deste trabalho é a inclusão das minorias sexuais sob a perspectiva de Cristo e das primeiras comunidades cristãs. Uma análise minuciosa e livre de ideologias conduzirá o leitor da Bíblia, inevitavelmente, a um novo olhar, livre de preconceitos sobre aqueles que, tradicionalmente, fomos levados a discriminar. Nunca, no Brasil e no mundo, os direitos da comunidade LGBT se expandiram tanto, por outro lado, em proporção semelhante, em nenhum outro momento o preconceito e a discriminação contra essa comunidade vieram à tona com tanta intensidade.

Kibook - Qual a relevância desse livro para o cenário atual?
AF – A importância desse trabalho está em seu papel esclarecedor. Todo preconceito é gerado pela falta de informações. É necessário quebrar o ciclo do preconceito. O preconceito precede a discriminação. Os crimes de ódio, como o praticado no último domingo em Orlando, são motivados pelo preconceito. No Brasil, a realidade é ainda mais triste. Pesquisas do Grupo Gay da Bahia (GGB) indicam que um LGBT é morto a cada 26 horas. As estatísticas são alarmantes. Em 2015, 318 LGBTs foram assassinados. Esses dados colocam o Brasil no topo quando o assunto é violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Ao quebrar o ciclo do preconceito, a violência deixa de existir. O livro tem um caráter informativo, formativo e reflexivo. Aliamos informação e reflexão nessa obra, tendo como ponto de partida o ministério de Jesus Cristo e os princípios do Evangelho propagados por Ele e pela Igreja Primitiva. As reflexões propostas nessa obra envolvem basicamente a inclusão de excluídos e marginalizados por questões religiosas. Abordamos desde a inclusão da mulher à inclusão das minorias sexuais, representadas pela figura dos eunucos. Se a exclusão das minorias sexuais nasce de uma interpretação equivocada da Bíblia, deve ser a partir da mesma Bíblia que a inclusão deve nascer.  

Kibook - O livro já está à venda há mais de um mês. Como tem sido a receptividade da obra?
AF – Graças a Deus nossas expectativas quanto à recepção da obra têm sido superadas. Já vendemos metade da primeira tiragem e estamos providenciando uma segunda tiragem, maior que a primeira, pois já temos lançamentos marcados em outras capitais. Tenho recebido um feedback bastante positivo das pessoas que já adquiriram o livro, o que nos motiva a continuar escrevendo novos trabalhos que contribuam para a inclusão das minorias sexuais à Igreja, bem como para o combate do preconceito a essas minorias. 

Kibook - Para concluir, uma frase que resuma o livro:
AF – A frase que resume o livro está na Bíblia, no livro de Atos, capítulo 10, versículo 34: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas. Esse princípio bíblico confirma todas as reflexões que construímos com base nos relatos dos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento. Em cada relato analisado, essa verdade fica evidente. Pessoas antes excluídas pela religião passam a caminhar lado a lado com Cristo. De posse dessa verdade valiosa levamos a própria comunidade LGBT a compreender que Deus não exige mudança de sua constituição sexual. As minorias sexuais são aceitas por Deus, pois a diversidade é parte de Seu trabalho criativo. O livro nos leva a encarar a comunidade LGBT sob a perspectiva de Cristo, quebrando o ciclo do preconceito e da violência, promovendo um entendimento gracioso das Escrituras e uma cultura de paz.

Um pouco mais sobre o autor: Alexandre Feitosa é brasiliense, graduado em língua portuguesa, pastor e professor. Desde 2006, dedica-se ao estudo da Teologia Inclusiva e a palestras sobre o assunto. É autor das seguintes obras: Bíblia e Homossexualidade: verdade e mitos (2010), O Prêmio do amor (2011), A Igreja Trans (2012), Quem está manipulando a Bíblia? (2013), Lições Bíblicas Conhecimento & Graça (2014). É membro da Comunidade Athos de Brasília, uma igreja protestante inclusiva.  



Lançamento do livro: 18 de junho de 2016 a partir das 19h30 na Comunidade Athos Brasília – SDS – Conic – Edifício Eldorado, Entrada B, Subsolo, Sala 17.

Especificações: Teologia Inclusiva: Fundamentos, Métodos, História, Conquistas – Oásis Editora, Brasília, 2016, 102 páginas. 





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 Especial livro Quarto

Especial livro Quarto

Por Oliver Fábio
 Um livro que tem arrebatado leitores por todo o mundo, já foi traduzido para mais de 7 idiomas, chegou a mais de 30 países, e ganhou mais de 17 prêmios, então motivos é o que não faltam para você ler essa intensa narrativa, sucesso de público e crítica, é o sétimo livro da então desconhecida escritora irlandesa Emma Donoghue.

SINOPSE


Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la.


O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.



“Quarto” é encantador por ser livro simples, com diálogos espertos, divertidos e verossímeis. Logo você descobrirá que o quarto é na verdade um cativeiro, onde o o vilão é o velho Nick que aparece poucas vezes, porém não deixa de ser um ser muito cruel.


Jack cresce nesse ambiente insalubre, porém sua mãe faz de tudo para transformar o quarto num lugar mágico. O pequeno Jack vive num mundo onde a realidade é uma fantasia, que ele conhece bem pouco através da TV. A magia do livro está em Jack não saber que está numa prisão, esse contraste cria as grandes sacadas e complexidades do livro: Quarto é tanto uma prisão, quanto um refúgio.


E o livro virou um premiado filme:

Apesar de ter sido elogiado e até indicado ao Oscar em 4 categorias, o filme fica muitas léguas de distância do esplendor do livro, a própria autora chegou a afirmar que a adaptação não explorou a vítima. Eu assisti o filme e é notório como o personagem Jack foi deixado em segundo plano, porém ainda assim vale a sua audiência.

O que falam por aí, sobre “Quarto”:

"Quarto é a mais rara das entidades: uma obra de arte inteiramente original."
MICHAEL CUNNINGHAM, autor de “As horas e Ao anoitecer”

"Quarto é um dos livros mais profundamente tocantes que li em muito tempo."
JOHN BOYNE, autor de “O menino do pijama listrado”.

"O texto de Emma Donoghue é uma esplêndida alquimia, que transforma a inocência em horror e o horror em ternura."
AUDREY NIFFENEGGER, autora de “A mulher do viajante no tempo” e “Uma estranha simetria”.

"A autora criou um narrador infantil que é um dos mais envolventes em anos."
New York Times Book Review

"Cuidado: uma vez que começar a ler este livro, você será prisioneiro de Donoghue até a última página."
Newsweek

"Quanto ao doce, inteligente e divertido Jack, eu queria arrancá-lo para fora do livro e nunca mais deixá-lo ir embora."
Daily Mail

"Emma Donoghue faz os leitores se identificarem tanto com seus personagens que, pelos olhos de Jack, podemos ver nosso próprio mundo de maneira completamente nova."

Literary Review

Sem dúvidas, um livro que se tornará um clássico e vai figurar na seleta lista de bons livros do século XXI.





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Volto quando puder

Volto quando puder

Por Oliver Fábio

“Volto quando puder” é o livro de estréia das jovens escritoras Isa Prospero e Márcia Oliveira, a narrativa é super envolvente e cativante, foi publicado pela Hoo editora e tem tudo para conquistar os adolescentes.

Sinopse

Artur é um garoto de 14 anos que mora com a mãe e vê o pai aos finais de semana, pois os pais são separados. Tudo isso muda quando a mãe morre, e ele passa a morar com o pai, Guilherme. Charmoso, extrovertido, tatuador na Galeria do Rock, ele está longe de ser o pai que Artur sempre quis.


Pra completar, o garoto é obrigado a mudar de escola e, a partir daí, começa uma nova fase em sua vida. Além de não ser o cara mais popular da escola, ele faz alguns inimigos em pouco tempo. Mas há duas pessoas que o Artur curte muito: o Alexandre, considerado o melhor professor do mundo pelo garoto, e a Priscila, menina tão interessante, que Artur nem acredita quando ela se aproxima.

Conflito de gerações, dificuldade de comunicação entre pais e filhos, sexualidade e primeiro amor: são todos os desafios que o Artur tem que viver durante a adolescência.


O jovem Arthur precisa enfrentar seus dilemas, terrores, confusões, descobertas, revoltas, luto... para isso, ele necessita amadurecer, ter autocontrole, parar com as birras, deixar de lado sua impulsividade e sua língua afiada, para encarar todas essas situações e não mais fugir delas.

Toda a história mostra o quão importante é fazer laços na vida, pois esses laços ajudam na hora de encarar os problemas de frente e vencer. É uma leitura indispensável para pais e filhos: para os filhos refletirem e compreenderem a bagagem e complexos que os pais carregam e serve muito bem para os pais entenderem os enormes dilemas que seus filhos adolescentes vivem. Que por medo, vergonha e etc, acabam não se abrindo em casa e vão desbravar sozinhos o mundo, a sexualidade e conflitos internos, aventura que não é adequada para adolescentes que ainda estão formando o seu caráter e personalidade, e ainda não possuem nenhum sabedoria ou experiências de vida. O livro serve como um despertar para ambas as partes se notarem e juntos atravessarem essa fase tão complicada que é a tal adolescência.

Lendo o livro, voltei a minha adolescência e vi como eu também era bobo, dramático e no mundo da lua. Prepare-se, pois você vai entrar no universo dos jovens atuais, e tudo é desnudado pelas autoras de forma brilhante.

Este livro realmente deveria entrar na lista obrigatória de leituras das escolas, pois abre margem para ótimos debates em classe, pois os assuntos são bem pertinentes aos alunos.

Com sua narrativa instigante e por trazer muitas reflexões só posso dizer que super recomendo a leitura.



Saiba mais sobre esse livro e outros lançamentos, acessando: HOO EDITORA



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Entrevista com Lou do livro "Como eu era antes de você"

Entrevista com Lou do livro "Como eu era antes de você"


Raio X
Nome: Louisa Clark, mais conhecida como Lou.
Idade: 26 anos
Filha de Bernard e Josephine Clark. Tem uma irmã e um sobrinho. Antes de ser balconista foi uma terrível cabeleireira.

A estrela dos livros de sucesso “Como eu era antes de você” e “Depois de você”, concedeu uma entrevista para o Kibook. Confira abaixo:

KIBOOK – Como foi ser demitida após 6 anos de trabalho no café de uma forma tão brusca?
LOU – Ah, o Frank precisava voltar para a Austrália, seu pai não estava bem e o castelo começaria a servir seus próprios lanches, o que afetaria bastante nossos lucros. Frank foi generoso: meu deu 3 meses de salário a mais.

Kibook – Era um momento de recesso na economia, não ficou com medo de não conseguir rapidamente uma colocação no mercado de trabalho? – Não diria medo, mas papai me deixava insegura ao comentar que eu não sabia fazer muita coisa. Ele temia que a situação fosse piorar, ele dependia do meu salário para ajudar a manter a casa. Ele vivia com medo de ser demitido da fábrica de moveis e minha irmã ganhava bem pouco e tinha o seu filho. Ver meus pais preocupados e debatendo sobre o meu futuro profissional foi algo bem complicado e difícil para mim.

KibookNão deixei de observar suas roupas e você tem uma personalidade singular no quesito moda, você está sempre antenada? – Um pouco. Na minha adolescência eu gostava de roupas de meninos e atualmente prefiro as que me agradam, não sigo religiosamente a moda, mas adoro roupas exóticas e cores vibrantes. Sou uma garota comum, levando uma vida comum e acho que ninguém olharia para mim duas vezes, meu look às vezes espanta. (risos)

Kibook Foi complicado conseguir uma roupa adequada para a entrevista com a elegante sra. Traynor? – Bastante! Saber que eu ia ser avaliada em vários aspectos me deixava nervosa e insegura. Optei por usar um tailleur da minha mãe, não foi a melhor escolha, mas era a roupa mais social que consegui. No meio da entrevista a saia se rasgou, foi constrangedor, mas consegui a vaga e o salário ótimo.

Kibook – E como foi o encontro com o peculiar Will? – Não o conheci no dia da entrevista. Parece que ele não estava bem. Ele sofreu um acidente de trânsito e precisava de cuidados intensivos para comer, beber e etc. A mãe dele procurava alguém animada e percebeu isso em mim. Mas sobre o encontro, fiquei muito apreensiva e receosa em conhecê-lo e ver as suas limitações. O primeiro contato foi horrível. Ele não é uma pessoa muito amigável, mas também, não tinha como ser uma pessoa espirituosa no estado que se encontrava e com tantos remédios para tomar.

Kibook – Você chegou a pensar em desistir do trabalho? – Sim. Até mandei um SMS para a minha irmã falando que ele me odiava e ela respondeu que mamãe e papai precisavam do meu salário. Mas foi difícil encarar aquele homem que me olhava como se eu fosse uma coisa que o gato trouxe na boca. Will era extremamente arredio e foi um pesadelo o primeiro dia.

Kibook – Sofreu muito para se adaptar? – Aquela casa linda e elegante era vazia e silenciosa como um necrotério, não foi difícil sentir falta do meu antigo emprego. Sentia saudades de Frank e de como ele realmente parecia satisfeito ao me ver chegar a cada novo dia. Sentia falta dos clientes, da companhia deles, das conversas fáceis, dos suaves sons de engolir e de coisas sendo mergulhadas em líquidos e na casa dos Traynor eu não me sentia a vontade e Will não ajudava. Mas eu repetia sempre: serão apenas 6 meses nesta casa.

Kibook – Como conheceu Patrick? – Ele foi o meu primeiro namorado, nos conhecemos quando eu ainda estava no meu primeiro emprego, no único salão de beleza unissex de Hailsburry. Ele queria fazer um corte e fiz, ele descreveu depois como não só o pior de sua vida, mas o pior de toda a história (risos). 3 meses depois, cheguei à conclusão de que gostar de mexer no meu próprio cabelo não significava necessariamente saber cortar o dos outros. Não demorou muito e começamos a namorar, ele não chegava a ser bonito, mas seu traseiro era maior que o meu e eu gostava disso. 

Kibook – Só mais uma pergunta: Qual foi a sensação de ir pela primeira vez a um concerto? – Senti a música como se fosse algo físico que não entrava só pelos meus ouvidos, mas fluía dentro de mim, me cercava, fazia meus sentidos vibrarem. Eu não sabia que a música era capaz de fazer com que coisas novas surgissem dentro da gente e de nos levar a lugares que nem o compositor imaginou. [FIM]

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Resenha “Tudo e todas as coisas”

Resenha “Tudo e todas as coisas”

Por Oliver Fábio
Melhor que “A culpa das estrelas” de John Green. 
Do que o amor é capaz? Uma mãe protetora e uma filha com muitos sonhos e desejos vão despertar. Uma luz será acesa e tudo ficará visível e agora para onde elas devem olhar? A filha vai ter que se reinventar e a mãe se superar. “Tudo e todas as coisas” é um livro sobre liberdade, independência, laços familiares, medos, colapsos, bloqueios e sentimentos não trabalhados. É o romance de estreia de Nicola Yoon.

Madeline Whittier não é uma garota comum, ela sofre da “doença da criança bolha”, Imunodeficiência Combinada Grave e tem alergia a tudo imaginável, e vive em uma fortaleza contra qualquer germe.

Maddy apesar de viver uma vida muito limitada é feliz do seu jeito, porém logo um vizinho vai chegar e mudar todo esse cenário de calmaria e fazê-la despertar para coisas que não conhecia. O seu mundo é sua casa e seu quarto, leva uma vida sem muitas emoções, onde as coisas normais de qualquer adolescente: a carteira de motorista provisória, o primeiro beijo, o baile de formatura... são impossíveis para Madeline viver. Seus passatempos são: ler, navegar na internet e jogar à noite com a mãe. Porém

Maddy está completando 18 anos, ao lado da sua fiel companheira, mãe e médica pessoal. Ao soprar a vela do bolo ela faz um pedido mágico, um sonho que espera que seja logo realizado. 

O destino parece que resolveu ser bonzinho com Maddy e no dia seguinte um caminhão de mudanças estaciona na casa vazia da frente. Ela teria novos vizinhos e um colírio para os olhos. Olly ou Oliver, alto, esguio, branco levemente bronzeado da cor de mel e todo vestido de preto, seria o dono dos seus sonhos. O garoto de olhos azuis como o oceano faz umas manobras de parkour na fachada da nova casa e logo seus olhos encontram os de Madeline e prontamente um sorriso se forma no rosto e no coração de cada um.



Os vizinhos lentamente vão alterando a rotina de Maddy, que passa boa parte do seu tempo os observando. Mas nem tudo são flores, os novos vizinhos numa tentativa de se apresentarem, fazem um bolo Bundt para Maddy e sua mãe, que gentilmente recusou o objeto de socialização, pois a filha jamais poderia comer do tal bolo, que mais tarde foi motivo de discussão, que Madeline presenciou da sua janela. E logo Olly que foi a visitar levando o bolo começou a lhe evitar. Aquele jovem chegou despertando o mundo lá fora que Maddy não conhecia e isso causou-lhe uma certa tristeza, e nesses momentos Carla, sua enfermeira a 15 anos, sempre tinha palavras reconfortantes.

O bolo da discórdia logo virou objeto de encenação. O bolo Bundt tentou suicídio pulando da janela de Olly, dois dias depois reapareceu cheio de band-aids e todo dia uma nova representação era exibida na janela do vizinho e foi um pulo para começarem a trocar e-mails e iniciar a guinada na vida de Maddy.

Madeline raramente recebia visitas, pois o processo pelo qual o candidato teria que passar era bem doloroso: precisava ter os registros médicos checados, passar por um exame físico, sem falar na descontaminação: um banho de ar soprado em alta velocidade por uma hora e isso reduzia drasticamente o número de visitantes àquela casa.

ELE

- Autoestima alta;
- Levemente convencido;
- Audacioso;
- Galanteador.

ELA 
- Consciente;
- Não se faz de vítima;
- Bem resolvida.

A felicidade da liberdade pode ser um pesadelo. Será se viver algo bom por pouco tempo e sentir saudades é martírio? Será se acomodar-se é a melhor escolha? 
Será se Maddy vai conseguir realizar o desejo que fez ao apagar a vela do bolo? Descubra isso e todas as reviravoltas da vida de Madeleine em “Tudo e todas as coisas”. 
A história é clássica, mas nos rende ótimos momentos de leitura. É uma leitura leve e fluída. O livro é dividido em minicapítulos. Tem muitas ilustrações, tabelas, páginas de agenda, e-mails... e isso faz com que a leitura seja bem agradável e rápida.


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"O livro das coisas que nunca aconteceram"

"O livro das coisas que nunca aconteceram"


Hoo editora lança "O livro das coisas que nunca aconteceram".
Ana Luiza Savioli mescla assuntos como religião, homofobia, machismo e violência.


A hoo editora lança um novo título no dia 17 de abril. O livro das coisas que nunca aconteceram, de Ana Luiza Savioli, conta a história de Harry Darwin, um garoto que foi salvo da morte por alguém que nunca conheceu. Entre tantas questões abordadas, a obra dá destaque ao preconceito, à homofobia, à amizade e ao amor. O lançamento acontece às 16 horas, no Espaço Fábrica São Luiz, em Itu. O livro tem 400 páginas, e já está disponível na pré-venda do site da editora, www.hooeditora.com.br, por R$ 39,90.

A autora tem 24 anos, nasceu em Sorocaba e cresceu em Itu. É Técnica de Alimentos e ainda aos 21 publicou seu primeiro livro, Platônico. Hoje trabalha como Analista de Bacteriologia para o Ministério da Agricultura e, entre trabalho e estudo, seu hobby é se aprofundar em pesquisas científicas e aplicá-las em suas histórias.

“Ser escritora sempre foi o sonho primário. Desde antes de aprender a escrever, ser escritora fazia parte do que eu esperava do futuro. Desde muito criança fui estimulada por professores e pela minha mãe a praticar a escrita. Mesmo crescendo em Itu, tive a sorte de ter professores menos conservadores, que me ensinaram o valor do diferente. Espero que o livro possa passar a mensagem correta – de paz, amor, aceitação e união”, diz Ana.

A autora afirma que esse foi um livro difícil de escrever. “Quis explorar todos os conceitos que permeavam minhas ideias na época de escrita. Então tem um pouco de tudo: relatos de homofobia, preconceito, depressão, mas com momentos mais alegres, com amizade e amor andando juntos”, explica.

Harry Darwin, personagem principal da história, descobre que a pessoa que o salvou da morte foi misteriosamente encontrada morta no dia seguinte ao salvamento. “Atraído por esse mistério, ele se aproxima do irmão da vítima, Matthew Knight. Assim, acaba entrando nas missões de viagem no tempo para curar o tecido da realidade, pelas quais Matthew e sua família são responsáveis”, completa a autora.

Ana conta que escreveu o livro pelo desejo de ler uma história que mesclasse discussões importantes como religião, homofobia, machismo, violência, com um toque de ciência e filosofia. “É o livro que eu gostaria de ler. Como não existia, escrevi”, conclui bem-humorada.

A hoo editora é especializada em literatura LGBT e aposta na temática como forma de combate ao preconceito e contribuição para a conscientização das pessoas sobre a diversidade. Para Ana, a iniciativa não só é ótima, mas necessária. “Trata-se de um momento em que toda força é válida, e uma editora focada em livros com representatividade é uma força gigantesca. Assim toda uma geração que se vê oprimida pode encontrar a si mesmo também na literatura”.

Serviço
Local: Espaço Fábrica São Luiz
Data: 17 de abril
Horário: 16 horas
Endereço: Rua Paula Souza, 492 – Centro, Itu – SP
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Ler e escrever no Brasil - Vamos conversar?

Ler e escrever no Brasil - Vamos conversar?

Por Vanessa Vieira

Vamos conversar um pouquinho sobre o universo da leitura?  Não sou especialista no assunto, mas penso que há algumas questões sérias a serem pensadas. Principalmente por nós, leitores, blogueiros literários e professores quede uma forma ou outra sempre estamos envolvidos com o universo literário.  A questão principal de nossa conversa, vou adiantando, está relacionada com o que se lê, o que se escreve e para completar, com o que se valoriza em nosso país. Vamos pensar um pouco sobre atitudes, e sobre as implicações que elas podem ter em nosso ato de ler. Comecemos com uma pergunta: 

Você acha legal olhar e ler uma imagem parecida com esta abaixo? 




Com certeza, se você é brasileiro e um leitor assíduo vai ficar indignado, desconfortável... Ou qualquer coisa do tipo. Certo? A menos que você não leia nada... Sabemos que é uma brincadeira, mas uma brincadeira com fundo de realidade. Mesmo sendo esta uma realidade praticamente já ultrapassada. Afinal, hoje em dia nas cidades mais avançadas só não lê quem realmente não quer. Sebos, livros digitais, trocas... Temos toda possibilidade de acesso aos livros...  
Mas agora faço outra pergunta. Você que é brasileiro, que se incomodou com a imagem apresentada o que pensa quando ouve frases do tipo: 

"Os livros nacionais não me interessam... Não tem nada que preste! São mal escritos, editados. As capas são ruins... etc, etc, etc..."

Sabe como eu me sinto? Tão ofendida quanto na imagem que mostrei a cima. Da mesma forma que "Eles" não percebem que estamos lendo mais, "Nós" quando nos deixamos levar por estas ideias não estamos percebendo, ou melhor deixando de conhecer e saber, que a literatura brasileira tem sua identidade (e não é como as internacionais, simplesmente porque é 'brasileira' e não estrangeira) e mais que isso, temos autores muito bons, livros incríveis que, infelizmente, por falta de reconhecimento de algumas editoras e também de alguns leitores acabam ficando esquecidos nas caixas ou lidos por poucas pessoas. 

Sim, tenho visto muitas editoras dando espaço para autores jovens, ou veteranos, porém, iniciantes na parte da publicação. Mas a questão aqui é: - Será que nós leitores temos valorizado nossos autores? Como agentes da cultura da leitura nós blogueiros, professores, editores e leitores precisamos ter claro o que podemos fazer para que este quadro mude em nosso país. E estou falando tanto da observação que se faz sobre o leitor como a observação que se faz sobre o escritor. Isso é uma questão social! Para vencer as barreiras que ainda temos na cultura literária precisamos de valorização e só vamos conseguir isso se andarmos juntos. 

Não estou dizendo que precisamos parar de ler livros escritos por pessoas de outro país, jamais! Até porque tem vários autores que acho interessantes e não pararia de ler mesmo. Mas, que tal começarmos a pensar sobre quais autores nacionais eu achamos interessantes e também não pararíamos de ler. Essa atitude simples já faz uma diferença enorme. Vale a pena pensar no assunto! 




TEXTO CEDIDO POR  Vanessa Vieira
 DO BLOG PENSAMENTOS VALEM OUROACESSE E ENCONTRE ÓTIMAS LEITURAS. 
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A vez dos Nacionais

A vez dos Nacionais


“Torta de Climão” é uma espécie de livro-revista, em formato de quadrinhos, que traz várias tirinhas, na qual retratam situações comuns e incomuns do universo LGBT, de uma forma bem-humorada. O autor Kris Barz apresenta inúmeras nuances desse arco-íris de pessoas e deixa o seu recado para sociedade despertar e encarar os homoafetivos com um novo olhar.

"Torta" deixa claro que a diversidade do meio LGBT é concreta, e que a sociedade precisa quebrar o estigma da imagem que a mídia por muitos anos reproduziu em novelas e filmes, tentando delinear um arquétipo e o que menos existe no meio é padronização.   

As minhas tirinhas favoritas foram: “Será?”. Por trazer uma reflexão sobre o questionamento ‘ser ou não ser’ e pela esperança de dias melhores. “O casamento de Mari & Joana”, por dá um tapa na cara de algumas pessoas que se dizem tradicionais e adeptas a certos valores, que até elas mesmas já esqueceram. E “Paixões diárias de 5 minutos”, confesso que essa me representa bem, tenho a mania de visualizar nas pessoas algumas possibilidades, amores, sonhos... Isso vem da minha adolescência repleta de amores platônicos e ainda não aprendi a lidar bem com isso.



Kris sempre gostou de quadrinhos e percebeu que no Brasil não havia personagens de HQ gays. Surgiu então a ideia do “Torta de Climão”, em 2012. O autor sentia falta de quadrinhos que abordassem a realidade LGBT do ponto de vista de alguém que pertencesse a esse grupo.

Queria criar uma história em quadrinhos que falasse disso, mas que não fosse apenas “informativo” a didático, mas que também falasse de forma bem desencanada do dia a dia desse grupo, das gírias, das situações específicas que acontecem com LGBTs e também daquelas situações que são comuns a todo tipo de pessoa, como relacionamentos, amizades, etc.

As personagens têm seus próprios passados, preconceitos, opiniões, afetos e motivos diversos em suas vidas. Kris tenta mostrar que há uma gama de tipos de pessoas tão vasta no mundo, que é possível se identificar com traços diferentes de personagens variados e também não se identificar com alguns. Entre as pessoas LGBTs, há de tudo um pouco. Do clichê ao insólito e é possível você ser ambos em diferentes aspectos ou mesmo nenhum deles e não há problema nisso.
 

Que a sociedade possa compreender e respeitar todas as cores que compõe essa imensa diversidade que é o mundo... a vida.

Foi uma grata surpresa esse exemplar e agradeço a Hoo Editora pela cortesia. Tenho um rascunho de um livro com temática homoafetiva, quem sabe um dia eu o tire da gaveta e apresente para a Hoo, editora essa, que é especializada em publicações com temática LGBT e já conta com outras publicações que merecem nossa atenção e que em breve comentaremos aqui: “Nicotina Zero” de Alexandre Rabelo e “Volto quando puder” das autoras Isa Prospero e Márcia Oliveira.

Quer conhecer um pouco mais sobre “Torta de Climão”? Então acesse pelo Facebook: Torta de Climão 
E conheça também a Hoo: www.hooeditora.com.br



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Falsa americana

Falsa americana

Por Diogo Mendes


Tela com tela. Mais de cinco meses teclando e tudo se resume em esperar o desembarque no aeroporto.

- Vai estar de oliva, ainda bem que não escolheu uma cor comum – falava sozinho o homem de trinta anos – será que vai gostar de mim?

Nervoso decidiu comprar algo para espantar a fome. Dentro da cafeteria assistia pela vitrine, ao espetáculo guloso das guloseimas, tentando mentalmente ensaiar uma frase de impacto.

- O senhor vai querer alguma coisa - interrompe o atendente da loja - já decidiu?
- Sim, vou.... Me vê um cafezinho.
- Médio ou grande?
- O pequeno não sou tão fã de cafeína.
- Não temos o copo pequeno, por isso disse: médio ou grande.
- Como não tem?
- Ainda não foi hoje distribuído, senhor...
- Tudo bem, não quero problema. Me vê o médio.
- Como?
- Por fim.... Me vê o café médio.
- Agora entendi...

O atendente demorou uns instantes e a ansiedade ficou mais visível no homem que tomou o café em uma golada. Enquanto mal se virava o funcionário do estabelecimento perguntou com certa arrogância:

- Vai querer mais alguma coisa?
- Sim, mas depois.

Hora do encontro e ele saiu com rapidez. Outro avião, provavelmente, descia. Ele tremia dentro das roupas compradas em cinco prestações. Planejava apelar para o humor e conseguir simpatia imediata.

- Parece que é ela!

Decidiu aumentar os passos à medida que se lembrava do rosto conhecido através das telas, até abordar uma mulher de oliva que entrou no saguão.

- Oi... Está me reconhecendo?
- Olá, não. Deveria reconhecer?
- Desculpa foi engano.

Voltou envergonhado perto do local que estava, nervoso, lembrou outra vez dos contornos do rosto tão familiar, viu outra mulher de oliva.
Arrisca.
Risca.
Arriscado.

- Oi!
- Tudo bem! – afirmou a mulher sem nenhum problema de pronúncia – você é como imaginava...
- Oi Emily! Você, também estou muito contente de te conhecer ao vivo.

Os dois se abraçam e passearam pelas lojas do aeroporto. Ele disfarçava a curiosidade sobre a falta de sotaque da americana. Em uma revistaria folheando uma publicação de curiosidades tomou coragem.

- Emily?
- Sim...
- Como você apreendeu a Língua Portuguesa tão rápida?
- Antes que eu saia com você do aeroporto preciso de contar uma verdade...
- Não estou te entendendo. Como?
- Não sou a pessoa esperada por você. Nunca te vi na vida!

Ela colocou de maneira brusca a revista de variedades no mostruário. No momento, entretanto, que ele recuperou a dicção.

- Por que não me avisou? Existe mais alguma coisa para me dizer, sua louca?
- Não sou americana.


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