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 Especial livro Quarto

Especial livro Quarto

Por Oliver Fábio
 Um livro que tem arrebatado leitores por todo o mundo, já foi traduzido para mais de 7 idiomas, chegou a mais de 30 países, e ganhou mais de 17 prêmios, então motivos é o que não faltam para você ler essa intensa narrativa, sucesso de público e crítica, é o sétimo livro da então desconhecida escritora irlandesa Emma Donoghue.

SINOPSE


Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la.


O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.



“Quarto” é encantador por ser livro simples, com diálogos espertos, divertidos e verossímeis. Logo você descobrirá que o quarto é na verdade um cativeiro, onde o o vilão é o velho Nick que aparece poucas vezes, porém não deixa de ser um ser muito cruel.


Jack cresce nesse ambiente insalubre, porém sua mãe faz de tudo para transformar o quarto num lugar mágico. O pequeno Jack vive num mundo onde a realidade é uma fantasia, que ele conhece bem pouco através da TV. A magia do livro está em Jack não saber que está numa prisão, esse contraste cria as grandes sacadas e complexidades do livro: Quarto é tanto uma prisão, quanto um refúgio.


E o livro virou um premiado filme:

Apesar de ter sido elogiado e até indicado ao Oscar em 4 categorias, o filme fica muitas léguas de distância do esplendor do livro, a própria autora chegou a afirmar que a adaptação não explorou a vítima. Eu assisti o filme e é notório como o personagem Jack foi deixado em segundo plano, porém ainda assim vale a sua audiência.

O que falam por aí, sobre “Quarto”:

"Quarto é a mais rara das entidades: uma obra de arte inteiramente original."
MICHAEL CUNNINGHAM, autor de “As horas e Ao anoitecer”

"Quarto é um dos livros mais profundamente tocantes que li em muito tempo."
JOHN BOYNE, autor de “O menino do pijama listrado”.

"O texto de Emma Donoghue é uma esplêndida alquimia, que transforma a inocência em horror e o horror em ternura."
AUDREY NIFFENEGGER, autora de “A mulher do viajante no tempo” e “Uma estranha simetria”.

"A autora criou um narrador infantil que é um dos mais envolventes em anos."
New York Times Book Review

"Cuidado: uma vez que começar a ler este livro, você será prisioneiro de Donoghue até a última página."
Newsweek

"Quanto ao doce, inteligente e divertido Jack, eu queria arrancá-lo para fora do livro e nunca mais deixá-lo ir embora."
Daily Mail

"Emma Donoghue faz os leitores se identificarem tanto com seus personagens que, pelos olhos de Jack, podemos ver nosso próprio mundo de maneira completamente nova."

Literary Review

Sem dúvidas, um livro que se tornará um clássico e vai figurar na seleta lista de bons livros do século XXI.





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Crítica literária de "A rainha vermelha"

Crítica literária de "A rainha vermelha"

Por Oliver Fábio
"A rainha vermelha" alcançou rapidamente o topo da lista dos mais vendidos do The New York Times, em sua primeira semana de lançamento. Foi o primeiro livro de um autor estreante a realizar esse feito, sucesso nos Estados Unidos que chegou logo ao Brasil, através da editora Seguinte e foi lançado em junho de 2015. Com sua leitura fascinante, trama veloz, que ganha rapidamente nossa afeição. A fábula de Victoria Aveyard, na realidade moderna, sem dúvida será uma das maiores trilogias da década e, com a produção do filme, promete arrebatar ainda muitos corações. 

O Ano é 320 da Nova Era. A sociedade é divida pelo sangue: vermelho (pobres) e prateado (ricos), no reino de Norta.  

Nesse cenário, vamos conhecer a intensa vida de Mare Barrow, no livro “A rainha vermelha” da escritora Victoria Aveyard. 

A família de Mare Barrow vive num pequeno vilarejo chamado Palafitas, onde vivem apenas os vermelhos. Mare tem 17 anos e não é uma filha exemplar, é uma ladra astuta, que envergonha os pais. Seus três irmãos estão no front de guerra, seu pai foi vítima da guerra e vive em uma cadeira de rodas, a mãe cuida do lar e Gisa, sua irmã mais nova, é a única que parece ter um futuro promissor, sendo bordadeira. Kilorn é o seu único amigo, órfão da guerra, que ela não deixou morrer de fome. 



Um grande problema se aproximava para Mare e Kilorn: todos os jovens, homens e mulheres que, ao completarem 18 anos e não tivessem um trabalho, seriam recrutados para a guerra. Kilorn levava vantagem sobre a desocupada Mare, entretanto, sua sorte mudou: ao ver seu treinador morrer, o medo de ir para a guerra lhe dominou. Mare, porém, tinha um plano: fugiriam. E nessa tentativa, como desertores, Mare busca no mercado negro a chance de escaparem do futuro nas trincheiras, mas logo suas esperanças são ceifadas. O preço para tal fuga seria 2 mil coroas, quantia que ela calculava ser o valor do trono do rei. Para os prateados, esse valor seria apenas o de um par de meias e Mare vê na irmã a solução para os seus problemas. Gisa trabalha fazendo bordados para os prateados, no rico mercado local, próximo à residência de verão da realeza, chamada de Palacete do Sol.  

O mercado pareceu a oportunidade de ouro para a mãe leve de Mare. Ela passeava tranquilamente, estudando o local, quando um plantão de notícias informou que tinha acabado de acontecer um ataque terrorista na capital, ataques que foram assumidos pelo grupo radical Guarda Escarlate, motim idealizado pelos vermelhos. Todos os prateados haviam parado suas atividades para ver o noticiário. Mare logo vê a rua principal se tornando uma zona de guerra e, em meio ao caos, um incidente acontece a sua irmã Gisa, por sua culpa. Uma manhã atribulada para o seu plano, mas a sorte de Mare mudou pela noite, após uma tentativa de roubo frustrada... 

Vermelhos: uma raça inferior, nascidos na lama, manipulados pelos prateados. Vivem em regime de escravidão e servem aos interesses do Estado. 

Prateados: povo movido pelo desejo, status, orgulho, fiéis seguidores da família real. Consideram-se uma raça superior, mais forte e inteligente, por ter o sangue diferente e poderes mágicos, condição de que os vermelhos não dispõem.  

Mare é revoltada e repudia o povo prateado, que não perde uma oportunidade de enfatizar sua supremacia sobre os vermelhos e logo ela estaria imersa no universo deles. 

O povo vermelho vive oprimido, sem muita esperança e oportunidades, num reino onde o preconceito é claro e pungente. Um retrato fiel da sociedade atual em que vivemos, em que as classes sociais são bem definidas, divididas por um abismo gigantesco entre ricos e pobres. O livro retrata a saga de Mare na busca pelo fim desse sistema opressor, herança milenar, que se arrasta desde os primórdios. 

A obra soa como um protesto latente ou talvez um tratado sobre o nosso mundo atual. Seria uma luz para as escórias da sociedade, as sombras invisíveis? Não se trata apenas de fantasia, mas de conceitos e regimes que precisam ser repensados urgentemente, para que, como no livro, não haja a extinção da nossa espécie, como somos agora. 

A personagem Mare passou a viver a dualidade desses dois extremos: riqueza e pobreza. A saga de Mare é tentar mudar o sistema em que as camadas hierárquicas são claramente representadas pelos prateados, povo que tem como líder o rei Tiberias e a rainha Elara. Os soberanos, dominam as massas menos favorecidas e detêm alguns poderes mágicos. O rei controla o fogo e a rainha, a mente. Ambos são os grandes tiranos. Logo atrás deles vêm os príncipes Cal e Maven, contudo, os quais parecem ser diferentes dos pais, porém até onde isso seria possível? Até que ponto abdicariam da vida de poder e riqueza em troca da dignidade dos vermelhos? Mas para a surpresa de Mare, acabam se mostrando mais humanos que os pais, deixando transparecer que não são felizes com a abastança que os cercam. A evidente amargura é resultado das duras regras da monarquia, da obrigação de perpetuar um sistema segregacionista. Sem vida própria, a despeito dos seus desejos, reconhecem os interesses do país. Ao longo da narração vamos percebendo o quão artificial e severa é a vida dos prateados, que apenas vivem de ostentação e carregam um grande vazio existencial. A vida dos príncipes não são flores, porém Mare não se rende à compaixão facilmente, pelo contrário, ela nutre uma forte antipatia pelos príncipes e prateados, no entanto, se vê em meio a eles e precisa se curvar às regras para se manter viva e, nesse jogo, acaba se envolvendo por demais e mudando alguns dos seus pensamentos, apesar carregar a certeza de "que todo mundo pode trair todo mundo". 
 

A narrativa apresenta várias partes eletrizantes. Uma delas acontece na arena de luta, um lugar hostil e humilhante que fica na terra dos vermelhos, incentivados a torcerem pelos gladiadores prateados em troca de pão e das bem-vindas cotas extras de eletricidade. O livro é repleto de embates eletrizantes, que chegam a lembrar “Street Fighter”. São momentos de pura tensão e suspense, que seguem até o desfecho devastador do combate. 

A obra é uma distopia que apresenta traços do século XIX - período da era vitoriana, porém com a Revolução Industrial já bem estabelecida -, com elementos da modernidade das grandes metrópoles atuais. Talvez esse primeiro volume da trilogia represente a efervescência da Belle Époque, um momento de transição histórica, política e cultural, mas sabemos que logo após essa época houve a Primeira Guerra Mundial. Será que é um exemplo disso que nos aguarda no segundo livro: a “Espada de Vidro”? A autora traz à tona um leque de discussões acerca das desigualdades sociais que existem em Norta, e que nos remete a nossa vida real.  

Uma trama extremamente bem amarrada, com soluções inteligentes: um rei tirano, um filho esquecido, uma mãe vingativa, um irmão com uma longa sombra, mutações estranhas e Mare, são as grandes personagens e ingredientes do livro de estreia de Victoria Aveyard. 

Sobre a composição da narrativa: 

O enredo é narrado em 1ª pessoa, por Mare. Por conseguinte, a narrativa é toda em volta dela, o que produz bastante envolvimento e, consequentemente, fluidez à leitura. Não há quebras no fôlego da história. A percepção de Mare é aguçada, chegando a ser bem divertida às vezes. A inexistência de um narrador onisciente para descrever com mais riqueza alguns aspectos não chegar a fazer falta, tudo é retratado ricamente através dos olhos de Mare. As personagens são bem autênticas e sempre nos surpreendem. O livro tem vários clímax, o que prende o leitor vorazmente. A narrativa é realmente avassaladora e cresce a cada página virada. 

A fórmula é antiga, porém, a mistura das tradições reais com elementos do mundo moderno é apresentada de maneira reestilizada e bem convincente. 



PONTOS POSITIVOS 
- Narrativa unilateral; 
- Linguagem simples; 
- Narrativa dinâmica e linear de fácil entendimento; 
- Apesar de ser o primeiro volume, o enredo tem início, meio e fim. 

PONTOS NEGATIVOS (são mínimos, apenas algumas observações) 
- A história se passa num mundo cheio de tecnologia e ficamos nos perguntando onde foram parar os celulares, computadores, câmeras digitas e outros aparatos, já que existem elevador, TV, filmadora, avião e etc... e a autora acaba por se perder em pequenos momentos ao revelar e esconder esses elementos, como no trecho a seguir:“De repente, um ritmo pulsante jorra de uma caixa, e então me dou conta de que aquilo é um alto-falante, como os da arena. Só que este é para música (...) É um som tão animado, bem diferente da música melódica da aula de Blonos e das canções do vilarejo”. Mare já conhecia o aparato, porém, no início do trecho soa como se fosse um objeto desconhecido. No entanto, esses detalhes não comprometem a narrativa em nenhum momento, são apenas pontuações críticas.

Não faltam motivos para este livro conquistar sua atenção e um espaço na sua lista de leitura. 







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Crítica literária

Crítica literária


Crítica literária do livro "A visita cruel do tempo" 

"A visita cruel do tempo"  é o 4° livro da escritora e contista Jennifer Egan. E já deixo claro que não é um livro comum, com heróis ou mocinhas. Não tem uma narrativa linear. Não tem uma ordem cronológica. O livro não conta com uma personagem principal, essa função fica para o tempo. É uma obra literária minimalista.

O livro mostra a transitoriedade da vida. O passar do tempo na vida de jovens da década de 1970, amantes do rock y otras cositas más (coisas ilícitas). As histórias se passam entre 1970 e 2030 e conceitos filosóficos são dramatizados de forma sutil nas personagens, porém, analisados de forma profunda chegam a ser bem intensos. O enredo não possui muitas ações e emoções e as personagens não são exploradas totalmente. É uma dança de personagens na sua frente e você fica apenas parado vendo o transitar delas. 

O passar dos anos é bem cruel com algumas personagens que, em dado momento, resolvem sair do limbo do esquecimento e voltar à luz, como o General, La Doll, Kitty, Scotty, entre outros. A música é o plano de fundo de praticamente todos eles. O universo deles é a música, embora não seja um livro musical.

É um livro com o qual, você, definitivamente, não pode se distrair. Sua atenção precisa estar voltada para a multidão de personagens que vão surgir e sumir repentinamente assim como entraram na narrativa, porém, precisamos decorar os nomes delas para compreender a complexa e fragmentada narrativa. Presente, passado, futuro, vozes em 1ª , 2ª e 3ª pessoa se misturam drasticamente e se você não estiver atento pode se perder e ter que voltar algumas páginas para entender alguns elementos. 

Os 13 capítulos, em termos, não são sequenciais, cada um narra uma passagem de uma personagem, ou várias. Até a página 97 (capítulo 6), eu ainda não tinha entrado na história, devido ao estilo conto. Não consegui me apegar a ninguém, de certa forma isso é quase impossível em toda a narrativa. 

Egan imprimiu vários estilos literários neste livro. Ela mesma confessou ter tentado escrever um capítulo em forma de poema, porém acabou desistindo por não se considerar uma boa poeta. “É importante identificar no que somos bons ou não, e autocritica é essencial para o amadurecimento pessoal e profissional.”

O livro possui uma narrativa bem engenhosa, em alguns capítulos demorei bastante a identificar a personagem daquele trecho, exemplo do capitulo 6, que só na quarta página descobrimos de quem se trata. É uma miscelânea boa para a memória. As personagens se questionam e supõem demais, chegam a oscilar entre as décadas num só parágrafo. Sascha é a personagem que aparece mais vezes, sendo 4 capítulos dedicados à secretária de Bennie Salazar. 

O capitulo 7 foi uma grata surpresa, em que Stephanie apareceu e me conquistou. Os vários diálogos ajudaram nesse processo de envolvimento e a leitura se tornou leve e fluida. Seria ótimo se todo o livro fosse prazeroso e envolvente. Alguns capítulos vão deixar uma sensação de que não acrescentaram nada e, realmente, é verdade. Os capítulos 3 e 4 foram os menos interessantes.

O capitulo 8 é o meu favorito. Nele aparecem La Doll, Lulu, Kitty e um general, que dão fôlego a esse trecho com fortes emoções. La Doll tenta humanizar o tal General genocida, e as páginas passam sem percebermos.

O penúltimo capitulo é narrado por uma garota de 13 anos, em forma de slides (estilo Power Point). É o ápice da estrutura literária, sendo um ponto muito original e arrojado. 

Não é um livro muito sentimental. Notei uma pequena dose apenas no último capítulo, que chega a ser eletrizante dentro do “mar-morto” que é a história de modo geral, ou seja, comover-se fica por sua conta. 


"A visita cruel do tempo"  não é um livro apenas para ler, você precisa refletir e amarrar os capítulos para compreender a real intenção de Egan. É um romance psicológico, sem núcleo definido. Não há trajetória definida, é uma experimentação literária que realmente valeu o Pulitzer que ganhou, porém, como enredo em si eu não daria 5 estrelas, o livro não me envolveu, talvez devido às tantas fragmentações. Achei o enredo mínimo, porém de forma geral o livro traz um enfoque 'interessante' sobre o passar do tempo. É um livro sem muitas reviravoltas. Não há personagens para nos atermos, justamente pelo estilo de contos, e, devido a isso, não é possível desenvolver um sentimento mais profundo pelas personagens.

O tempo passa e às vezes não percebemos o peso das horas, dias, meses, anos, porém, um dia despertamos e, às vezes, não é fácil encarar esse processo. Ao final esse shake de contos, recriam uma forma única e passam a nos dar um sentido maior. Não há como negar que é uma escrita perfeita, inovadora, arriscada e magnífica, mas no quesito cativar, ficou aquém e não há nada de extraordinário na vida das personagens. Confesso que cheguei ao livro apenas pelo nome, gostei bastante do título. Quem sabe, relendo, ele possa me parecer excepcional.


"A visita cruel do tempo"  é o premiadíssimo romance de Jennifer Egan. E ele foi objeto da minha primeira Crítica Literária. Em nenhum momento quis tirar esse mérito, são apenas minhas pontuações sobre o livro. 



PONTOS POSITIVOS:
- É um livro cult;
- Inovador na parte estrutural;
- A narrativa é bem construída;
- Não tem personagens arquétipos;
- Não é um livro construído sobre paradigmas da literatura atual, pelo contrário, ele desconstrói a fórmula atual de uma forma bem interessante. 

PONTOS NEGATIVOS:
- Não é um livro que prende extremamente o leitor; 
- Se você gosta de livro com início, meio e fim e cheio de aventuras, este será o menos recomendado;
- Não possuí ápice - eu particularmente gosto;
- Narrativa morosa e pouco instigante.






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