Entrevista com a tradutora Regiane Winarski

Por Oliver Fábio
Regiane Winarski, a tradutora do livro O Bazar do Sonhos Ruins, revelou ao Kibook como foi traduzir esse novo livro de contos de Stephen King e nos revela muitas curiosidades.

Um pouco sobre Regiane Winarski:

Sou tradutora de livros desde 2009. Antes dos livros, traduzi legendas para TV a cabo. Sou formada em Produção Editorial pela UFRJ e dei aula de inglês por 10 anos. Quando tive a minha filha, decidi ir atrás do meu sonho de trabalhar como tradutora e passei a me dedicar a estudar e me preparar para isso. Atualmente, me sinto realizada no trabalho e amo muito o que eu faço. Traduzo para editoras como Suma de Letras, Intrínseca, Galera Record, Planeta, DarkSide, Rocco e outras. Jà traduzir quase cem livros, dentre eles, It – A coisaConfissões do crematório, O oráculo oculto, Cidade da morte e um montão de outros.

 
Kibook - Praticamente você foi a primeira brasileira a ler o novo livro de Stephen King, O Bazar do Sonhos Ruins. O que podemos esperar dessa nova obra?

Eu adoro os livros de contos do King, e achei esse excelente. Os contos estão bem variados, e cada um tem uma pequena introdução, na qual o autor conta pra gente alguma coisa sobre o processo de escrita daquele conto. Eu acho uma delícia “ouvir” a voz do King conversando com o leitor e adoro conhecer curiosidades sobre o processo da escrita. Além disso, há histórias excelentes e inesquecíveis nesse livro. Algumas me deram até aquela sensação gostosa de King das antigas, da época do Tripulação de esqueletos e Sombras da noite, dois livros que eu amo.

Kibook - Quanto tempo levou para realizar toda a tradução?

O Bazar é um livro bem grande. Acho que levei uns 4 a 5 meses nele, contando a tradução e a revisão que sempre faço quando termino uma tradução. Mas tempo de tradução é uma coisa relativa, depende de vários fatores.

Kibook - Já traduziu outros livros dele? (Se sim, é a tradutora ‘oficial’ dos livros dele?)

Não existe isso de “tradutor oficial”, porque a escolha de tradutor para cada livro depende de várias coisas, como disponbilidade de tradutor. Como mencionei na introdução, comecei a trabalhar com livros de King com It – A coisa, um desafio maravilhoso que tive na vida. É um livro que eu tinha lido quando adolescente, depois fiquei muitos anos sem tocar nele. Foi uma aventura mergulhar novamente na história e dar a ela uma nova tradução. Em seguida trabalhei em Joyland, fiz a trilogia Bill Hodges os três de uma vez, depois peguei O bazar dos sonhos ruins. Recentemente, traduzi mais um livro antigo dele que a Suma de Letras vai relançar e em breve começo outro (mas não posso citar títulos por questão de confidencialidade).

Foto: Divulgação- Suma de Letras
Kibook - Teve problemas para traduzir alguma frase ou termo, de forma a não perder o real sentido que o autor queria dar?

Faz parte do meu trabalho encontrar soluções para qualquer dificuldade que possa aparecer no texto. Não consigo pensar em nada específico que tenha acontecido nesse livro, mas sempre há algum pepino que dá um pouco mais de trabalho. Um exemplo disso é todo o colóquio de Joyland, talvez a parte mais difícil de traduzir nas obras do King até agora.

Kibook - Você teve contato com o autor para tirar alguma dúvida ou algo do tipo?

Infelizmente, não. Stephen King é uma celebridade! Seria maravilhoso poder trocar ideias com ele, mas ele é um cara muito assediado, e imagino que haja um esquema de proteção maior do que com os “mortais”, rs. Seria um sonho!

Kibook - Acredita que algum desses contos possa virar um filme, e arriscaria dar alguma nota para o livro?

Alguns contos talvez possam vir a ser roteirizados, principalmente os que têm história mais complexa, como Ur ou ObituáriosEu achei o livro maravilhoso de um modo geral, só houve um conto do qual não gostei muito (não vou dizer qual, mas será que alguém adivinha?). Eu daria 9.

Kibook - Como você vê as críticas que muitos leitores fazem em relação à algumas más traduções?

Como acontece com qualquer profissão, há bons e maus profissionais na área de tradução. Acontece de algumas críticas serem justas, embora nem sempre, e muitos leitores não levam em consideração o processo editorial. A produção de um livro envolve muitas etapas, em geral um copidesque e duas a três revisões, além da supervisão editorial. São muitas mãos mexendo em um livro ao longo do processo, e isso pode causar pequenos problemas pontuais. Mas é importante lembrar que os profissionais envolvidos costumam estar fazendo o melhor possível pra obter o melhor resultado. Em geral, quem trabalha com livros é porque os ama muito!

Kibook - Atualmente em quais livros está trabalhando? Pode nos contar um pouquinho do que vem por aí?

Infelizmente, não posso contar nada sobre os livros nos quais estou trabalhando. É uma espécie de acordo tácito que a gente faz com a editora, e em alguns casos tenho até que assinar termo de confidencialidade e não citar nem autores de livros. Costumo divulgar os lançamentos das minhas traduções no meu FacebookTwitter e Instagram, quando a editora já anunciou a publicação e eu já posso contar sobre os livros.

Obrigado pela gentileza de nos conceder uma entrevista e desejamos muito sucesso na sua carreira.

Eu agradeço pela oportunidade de falar com fãs do King, como eu. Longos dias e belas noites, sai.




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